Confortavelmente anestesiado
A ida
A ida anunciava o que estaria por vir. Um vôo com 144 lugares preenchidos. Sem medo de errar, 70% estavam indo pro show. Jovens de 20, 30 anos; senhoras e senhores quarentões e até cinquentões.
O primeiro arrepio foi quando um camarada de seus quase 30 anos me disse que mal dormira aquela noite de ansiedade.
Em Sampa
Cléver e Emelinne me pegaram no aeroporto quase 10 da manhã. Passeio na Santa Ifigênia (que vende eletrônicos a preços módicos), foto e chopp na Ypiranga com São João, aquela mesmo que é tida como a mais conhecida das esquinas brasileiras.
Ida ao mercado e inesperado encontro com o pessoal de Patrocínio. Mais chopp, o dia prometia.
Pit Stop
Quatro da tarde na casa do Cléver. Um banho e antes de um cochilo, 3 copos de uma deliciosa água gelada. (Tá bom, eu sei que perguntam o porquê desse comentário sobre a água gelada – mal sabia eu que ela acabaria com minha noite de sono e com o domingo). Dormi por uma hora pra repor energias. Acordei com um telefonema do Zé Maria que tinha ido no show do Rio. Como uma criança que ganhou um presente que queria muito, um Zé Maria empolgado me disse ter passado pela maior experiência de sua vida e contou-me parcialmente o que viu. Caras, ia ser 10, eu já sabia.
No Morumbi
Às 18 já estava no Morumbi. Meu ingresso era na arquibancada laranja. Ficava diametralmente oposto ao palco. Tentei trocá-lo por cadeira vermelha (pra ficar junto com a galera de Patrocínio) ou por cadeira azul (pra ter a companhia do Cumpadre Gil). Sem sucesso, uma vez que os cambistas queriam fortuna na troca. Enquanto perambulava de fora do estádio dos são-paulinos senti dor na garganta, resolvi ficar só na água mineral então. Comprei um binóculo e por volta de 19 horas adentrei o estádio. Ia assistir sozinho o show de um dos fundadores da banda que eu mais gosto até hoje.
Faltam 2 horas
Lá dentro, percebi que de onde assistiria o show, era praticamente a mesma coisa que nos setores vermelho (a esquerda do palco) e azul (a direita). Descobri também que minha recente ida a um oculista e a confecção de óculos pra combater uma pequena miopia me ajudariam muito a enxergar melhor o palco. Sobre o palco havia um telão, em cada lado do palco dois telões. No meio do campo um quarto telão. E agora era esperar. Esperar o show e esperar que o frio que eu começara a sentir pela febre anunciada não piorassem.
Ah! As olas foram um show a parte e me ajudaram a esquentar.
O Show
20:55 anunciaram que em 10 minutos o show começaria. Pediram que os que estivessem nas cadeiras de pista assistissem o show sentados (vaia neles). Nesse momento no telão principal (sobre o palco) que até então tinha uma imagem congelada de um rádio antigo, um copo e uma garrafa de whisky começa a haver movimentação. Música, uma mão que pegava o copo de whisky, com um cigarro na mão, mexia no dio do rádio. Tava anunciado, ia começar. E eu que havia lido o set-list até achei que começariam com Wish you were here (devido ao rádio – vocês devem se lembrar do início da música).
Bem, o que vem daqui pra frente são quase 3 horas de mais pura anestesia. Foi fabuloso, fantástico, espetacular, apoteótico, não há palavras. Ou há?
Começou com In the flesh (do The Wall) que levantou a galera, depois teve Mother (tbém do Wall), e daí já entrou no álbum wish you were here. Os telões laterais e o do meio do campo, mostravam o que ocorria no palco. O telão maior (aquele sobre o palco) ora mostrava clipes, ora o carinha com seu whisky e rádio. Quando começaram a tocar Shine on you crazy diamond tive que agüentar dois adolescentes a minha esquerda dizendo que aquela música era do Dark Side. Mas também os caras tinham menos de vinte anos né.
Have a cigar e como anunciado o carinha mexe no rádio e... Wish you were here. Não tem jeito, essa é a que eu mais gosto. O Morumbi cantou-a com um Waters que pareceu maravilhar-se com aquilo. E pra não dizer que o show era perfeito eu digo que prefiro a versão com o Gilmour. Mas o Gilmour não tava lá, e mesmo fazendo falta o show continuava. Não me lembro bem da seqüência, mas veio The Fletcher memorial home (The final cut) e começaram as críticas a Bush, Hitler, Mao Tse Tung. Mais canções que agora não me lembro e o ápice do show: No final da primeira parte Sheep (do Animals) com direito a um porco inflável gigante sobrevoando o estádio com mensagens (que segundo li, foram escolhidas pelos brasileiros) grafitadas como: “Hey killers, leave our kids alone”, “Bush, não estamos a venda”. A galera foi a loucura, fogo saía do lado direito do palco, era loucura total.
O Waters que dizia ter sido tocado profundamente (foi ele quem disse) pelos brasileiros, pediu um tempo pro break.
Cerca de 15 minutos depois ele voltou pra segunda parte (que seria basicamente o Dark Side inteiro) E foi! Com direito a The happiest day of our lives (sugestivo), The Wall II, Vera, Bring the boys back home e Comfortably Numb (como disse o Zé Maria, música perfeita pra acabar o show, pq foi assim que saí de lá).
Os fãs adoraram. Eu vi gente chorando.
Tem mais coisa, mas não dá pra escrever aqui, pq já tá grande demais. Fui embora tranqüilo.
Passei mal à noite com febre (que eu esqueci durante o show). Levantei 4 horas, pois não conseguia dormir. Dei um tempo e fui pro aeroporto. Passei muito mal ontem, mas hoje to melhor, diria que estou confortavelmente anestesiado.
A ida anunciava o que estaria por vir. Um vôo com 144 lugares preenchidos. Sem medo de errar, 70% estavam indo pro show. Jovens de 20, 30 anos; senhoras e senhores quarentões e até cinquentões.
O primeiro arrepio foi quando um camarada de seus quase 30 anos me disse que mal dormira aquela noite de ansiedade.
Em Sampa
Cléver e Emelinne me pegaram no aeroporto quase 10 da manhã. Passeio na Santa Ifigênia (que vende eletrônicos a preços módicos), foto e chopp na Ypiranga com São João, aquela mesmo que é tida como a mais conhecida das esquinas brasileiras.
Ida ao mercado e inesperado encontro com o pessoal de Patrocínio. Mais chopp, o dia prometia.
Pit Stop
Quatro da tarde na casa do Cléver. Um banho e antes de um cochilo, 3 copos de uma deliciosa água gelada. (Tá bom, eu sei que perguntam o porquê desse comentário sobre a água gelada – mal sabia eu que ela acabaria com minha noite de sono e com o domingo). Dormi por uma hora pra repor energias. Acordei com um telefonema do Zé Maria que tinha ido no show do Rio. Como uma criança que ganhou um presente que queria muito, um Zé Maria empolgado me disse ter passado pela maior experiência de sua vida e contou-me parcialmente o que viu. Caras, ia ser 10, eu já sabia.
No Morumbi
Às 18 já estava no Morumbi. Meu ingresso era na arquibancada laranja. Ficava diametralmente oposto ao palco. Tentei trocá-lo por cadeira vermelha (pra ficar junto com a galera de Patrocínio) ou por cadeira azul (pra ter a companhia do Cumpadre Gil). Sem sucesso, uma vez que os cambistas queriam fortuna na troca. Enquanto perambulava de fora do estádio dos são-paulinos senti dor na garganta, resolvi ficar só na água mineral então. Comprei um binóculo e por volta de 19 horas adentrei o estádio. Ia assistir sozinho o show de um dos fundadores da banda que eu mais gosto até hoje.
Faltam 2 horas
Lá dentro, percebi que de onde assistiria o show, era praticamente a mesma coisa que nos setores vermelho (a esquerda do palco) e azul (a direita). Descobri também que minha recente ida a um oculista e a confecção de óculos pra combater uma pequena miopia me ajudariam muito a enxergar melhor o palco. Sobre o palco havia um telão, em cada lado do palco dois telões. No meio do campo um quarto telão. E agora era esperar. Esperar o show e esperar que o frio que eu começara a sentir pela febre anunciada não piorassem.
Ah! As olas foram um show a parte e me ajudaram a esquentar.
O Show
20:55 anunciaram que em 10 minutos o show começaria. Pediram que os que estivessem nas cadeiras de pista assistissem o show sentados (vaia neles). Nesse momento no telão principal (sobre o palco) que até então tinha uma imagem congelada de um rádio antigo, um copo e uma garrafa de whisky começa a haver movimentação. Música, uma mão que pegava o copo de whisky, com um cigarro na mão, mexia no dio do rádio. Tava anunciado, ia começar. E eu que havia lido o set-list até achei que começariam com Wish you were here (devido ao rádio – vocês devem se lembrar do início da música).
Bem, o que vem daqui pra frente são quase 3 horas de mais pura anestesia. Foi fabuloso, fantástico, espetacular, apoteótico, não há palavras. Ou há?
Começou com In the flesh (do The Wall) que levantou a galera, depois teve Mother (tbém do Wall), e daí já entrou no álbum wish you were here. Os telões laterais e o do meio do campo, mostravam o que ocorria no palco. O telão maior (aquele sobre o palco) ora mostrava clipes, ora o carinha com seu whisky e rádio. Quando começaram a tocar Shine on you crazy diamond tive que agüentar dois adolescentes a minha esquerda dizendo que aquela música era do Dark Side. Mas também os caras tinham menos de vinte anos né.
Have a cigar e como anunciado o carinha mexe no rádio e... Wish you were here. Não tem jeito, essa é a que eu mais gosto. O Morumbi cantou-a com um Waters que pareceu maravilhar-se com aquilo. E pra não dizer que o show era perfeito eu digo que prefiro a versão com o Gilmour. Mas o Gilmour não tava lá, e mesmo fazendo falta o show continuava. Não me lembro bem da seqüência, mas veio The Fletcher memorial home (The final cut) e começaram as críticas a Bush, Hitler, Mao Tse Tung. Mais canções que agora não me lembro e o ápice do show: No final da primeira parte Sheep (do Animals) com direito a um porco inflável gigante sobrevoando o estádio com mensagens (que segundo li, foram escolhidas pelos brasileiros) grafitadas como: “Hey killers, leave our kids alone”, “Bush, não estamos a venda”. A galera foi a loucura, fogo saía do lado direito do palco, era loucura total.
O Waters que dizia ter sido tocado profundamente (foi ele quem disse) pelos brasileiros, pediu um tempo pro break.
Cerca de 15 minutos depois ele voltou pra segunda parte (que seria basicamente o Dark Side inteiro) E foi! Com direito a The happiest day of our lives (sugestivo), The Wall II, Vera, Bring the boys back home e Comfortably Numb (como disse o Zé Maria, música perfeita pra acabar o show, pq foi assim que saí de lá).
Os fãs adoraram. Eu vi gente chorando.
Tem mais coisa, mas não dá pra escrever aqui, pq já tá grande demais. Fui embora tranqüilo.
Passei mal à noite com febre (que eu esqueci durante o show). Levantei 4 horas, pois não conseguia dormir. Dei um tempo e fui pro aeroporto. Passei muito mal ontem, mas hoje to melhor, diria que estou confortavelmente anestesiado.
